A Consulta da Voz d@ transexual

A Consulta da Voz d@ transexual

Transexualidade


\\\"Para muitas pessoas, a sua identidade de género – a identificação psicológica como homem ou mulher – não corresponde ao sexo que lhes foi atribuído e registado no assento de nascimento. O sexo atribuído é aquele que é inferido, geralmente, por um exame sumário da genitália, ignorando-se outros caracteres secundários, ou factores genéticos, endócrinos, ou neurológicos. As estimativas variam, mas estima-se que um “homem” em cada 12 000 sente que é uma mulher e uma menor proporção de “mulheres” sente que é um homem (embora existam estudos que sugiram ou o contrário, ou um equilíbrio entre as proporções homem-mulher); ou seja, sentem que o sexo que lhes foi atribuído à nascença não está de acordo com a sua identidade de género. Estas são pessoas transexuais, ou seja, homens transexuais (as pessoas com uma identidade de género masculina, e cujo sexo atribuído à nascença foi o feminino, também conhecidos como FtM – do inglês “Female to Male”, ou seja, o sentido em que fazem a sua transição de género) e mulheres transexuais (as pessoas com uma identidade de género feminina, e cujo sexo atribuído à nascença foi o masculino, também conhecidos como MtF – do inglês “Male to Female”). Às pessoas não-transexuais, também é dado o nome de cissexuais.\\\" (Associação ILGA Portugal, 2008:2).


Consulta de \\\'voz d@ transexual\\\' na Relicário de Sons

Em 2006, a Relicário de Sons iniciou a intervenção terapêutica junto da população transexual, em processo de reatribuição sexual, com vista à reatribuição das suas propriedades vocais, formalizando, em 2011, a parceria que já vinha mantendo com o ILASC (Instituto Luso-Americano de Sexologia Clínica). Nesse período foram realizados alguns estudos exploratórios sobre a perceção do género vocal e, em 2012, foi dado início formal ao projeto \\\"Reatribuição Vocal\\\", o qual passou a integrar a preciosa colaboração da Terapeuta da Fala, Paula Correia.

Caso pretenda participar no estudo e/ou necessite de mais informações sobre o projeto, clique aqui.

Objetivos da consulta:


  • A intervenção em voz transexual visa a adequação das propriedades vocais (responsáveis pela identificação de género vocal) e, subsequentemente, das propriedades extra e para-vocais (co-responsáveis pela identificação de género);
  • Com a mudança do corpo e da imagem, a voz, como elemento de identificação de género, deve ser sujeita a um processo de adequação dos parâmetros que a caracterizam, de modo a completar todo o processo;
  • Parâmetros como a entoação, a ressonância, a frequência fundamental, entre outras propriedades extra e para-vocais (expressões faciais, gestos, postura, etc.), linguísticas (tipologia do vocabulário, das frases, etc.) e outras, são alvo de adequação;
  • No processo de reatribuição vocal, a capacidade de percecionar e processar, qualitativamente, as propriedades vocais (de terceiros e do próprio) detém um papel fulcral no sucesso da intervenção, pelo que a estimulação e o aperfeiçoamento desta competência ocupam um lugar central.  
Para marcar uma consulta, envie email para geral@relicariodesons.com.

Para mais informações sobre o papel do Terapeuta da Fala, clique aqui.



Pela voz d@ transexual...


\\\"Dina, devo-lhe o meu renascimento: muito obrigada!\\\"

S. S., 30 anos, MtF (utente RdS)


\\\"Cheguei à terapia da fala por estar em processo de reatribuição de sexo. Conheci a Relicário através do médico orientador do processo. Desde o início tive uma vontade muito grande de reaprender a falar. Tinha conhecimento de estudos e programas de treino para alteração da voz. Contudo, não conseguia encontrar o caminho adequado por estar focalizada em estereótipos.
A Relicário deu-me a técnica e o objectivo. Ou, o caminho para obter uma voz de timbre feminino adequado ao meu aparelho vocal. Este apoio técnico fez toda a diferença para conseguir obter num período relativamente rápido - 12 semanas - a técnica necessária para poder prosseguir sozinha. Os métodos utilizados, em laboratório ou em sessão prática, com exposição a um universo de auditores \\\"cegos\\\", ou em ambiente real (no café), foram fundamentais para criar as condições optimas de aprendizagem.
Houve ao longo de quase dois anos avanços e retrocessos, mesmo depois de ter aprendido a técnica nas 12 semanas iniciais. No início era uma dúvida tremenda sobre o sucesso do processo, associada ao medo de fracassar. Mais tarde, a falta de treino para utilizar a técnica. Apercebi-me, posteriormente, que tão importante como tudo o resto era a convicção da realidade da minha verdadeira personalidade. Parecia que essa convicção transmitia aos outros, mais do que toda a representação, ou, porque representava ela mesma a ausência de representação, a veracidade da minha personalidade, da minha nova voz.
Hoje, o domínio da técnica, associado a uma personalidade em franco desenvolvimento, a desabruchar para uma nova realidade, permite o sucesso diário de todo um processo integrado de transformação, no qual a voz é apenas uma das partes do todo.\\\"

M. J., 58 anos, MtF (utente RdS)



\\\"Lembro-me bem do primeiro contacto com a [Relicário de Sons]. Estava muito ansioso do que iria ali buscar. Com uma baixa auto-estima e rodeado de muros de betão que criei ao longo da minha vida. Foi com surpresa, bastante agradável, que senti que tinha recebido apoio, compreensão, força, carinho, estímulo...

Senti que eram e são pessoas dignas da minha total confiança.

A segunda sessão, foi marcada por uma reviravolta de quase \\\'360º\\\'. Palavras sábias fizeram-me dar um salto que me parecia impossível.

Citando Oscar Wilde: “VIVER É A COISA MAIS RARA DO MUNDO. A MAIORIA DAS PESSOAS APENAS EXISTE”.

Sinto que estou a começar a VIVER. Pela primeira vez, o 03 de Setembro (dia em que nasci), teve significado.

Considero-me uma pessoa de sorte por ter encontrado em meu caminho duas profissionais de grande gabarito e é pelo que conquistei e por tudo o que ainda irei conquistar que afirmo: Muito Obrigado.\\\".

J. A., 62 anos, FtM (utente RdS)




\\\"Mulher, 22 anos, solteira, vem pedir ajuda para a mudança de sexo. É filha única e foi criada pelos pais no ambiente que considera normal. Desde criança que se sentia diferentes das outras meninas, preferia brincar com rapazes e andar com eles, era considerada “maria-rapaz” tanto pelas amigas como pelos pais e outros adultos. Nunca quis brincar com bonecas e preferia brincar com carros, jogar à bola e andar de bicicleta. Com a puberdade começou a sentir necessidade de disfarçar as suas formas femininas, rejeitava totalmente a menstruação porque lhe fazia “lembrar que era mulher” e sentia atracção sexual por raparigas. Aos 17 anos, disfarçava-se de rapaz e procurava contactos com raparigas que desconheciam o seu sexo. Entrou em conflito com a mãe e saiu de casa aos 18 anos para viver em casa própria. Sentia prazer nos contactos sexuais com raparigas mas quase sempre vivenciadas com insatisfação mútua, pois não havia a intimidade desejada. Há cerca de um ano enamorou-se de uma rapariga virgem (heterossexual) a quem contou a verdade, considerando-se actualmente como namoradas, mas a relação mantém-se platónica, só ao nível de sentimentos. Até aos 20 anos, tinha receio de ser homossexual, pois desconhecia a existência da transexualidade, de que só teve conhecimento através da comunicação social. Decidiu então pedir ajuda médica para conseguir uma desejada mudança de sexo. Foi diagnosticada como sofrendo de uma perturbação da identidade de género (transexualismo) e encaminhada para uma consulta dessa subespecialidade\\\".

Albuquerque (2006, In Minorias Eróticas e Agressores Sexuais)


Apoios e parcerias:


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  • Informações disponíveis no forum da Rede Ex Aequo: clique aqui

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  • Com um agradecimento especial ao Pedro Alexandre Costa




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